Os Desafios da Educação em Tempos de Pandemia

A educação no Brasil sempre esteve em meio a dificuldades. O que falar das escolas públicas sucateadas, do corpo docente desmotivado e das famílias desestruturadas?

Quando falamos em Educação não podemos ficar dentro de uma bolha e olhar de modo unilateral como se uma triste realidade não estivesse à nossa volta!! Os desafios sempre estiveram ao nosso redor antes da pandemia. E agora? Como enfrentar tudo isso? Será que o ano está perdido? Será que meu filho será mal sucedido na vida porque viveu uma pandemia. E o que falar então das muitas outras pandemias pelas quais o mundo passou, ou das guerras mundiais e conflitos internacionais que perduram por décadas? Será que não está na hora de eu entender qual é o verdadeiro desafio?

Olhando de dentro para fora, podemos dizer que a situação sempre esteve caótica, a começar pelas estruturas de nossas escolas públicas. Não sei se um aluno, uma família acostumada a uma escola particular com o mínimo necessário, se adaptaria a uma escola pública sem qualquer infraestrutura (são salas quentes, mal arejadas, mobiliário precário, paredes sujas, portas quebradas...) Este é o retrato de muitas escolas públicas de nossa cidade. E posso dizer que este não é um retrato completo!! Nós vivemos uma outra realidade longe, muito longe disso tudo.

Voltando aos desafios da Educação em tempos de pandemia...

O grande desafio não foi, e não será o novo modo de fazer educação, ou o uso de plataformas e formulários para fazer provas e atividades ou a instabilidade da internet, nem o link que insiste em dar erro... Tudo isso somos capazes de aprender, de absorver e resolver. Tanto a Escola num todo, como alunos e famílias, porque somos seres inteligentes e comunicativos.

Realmente nós nos superamos neste quesito, mas o grande desafio não é este. O grande desafio são as relações, o saber olhar para o outro. O grande desafio é ser íntegro! É entender que o que chega para gente é a custo de muito trabalho de outras pessoas. O grande desafio é saber valorizar em primeiro lugar as pessoas, a vida e saber que conteúdo se recupera, que o bem material, a gente passa sem ele.

Quando as pessoas descobrirem que a vida é efêmera, frágil, mas ao mesmo tempo simples e linda, quando as pessoas descobrirem que precisamos de muito menos do que temos para ser feliz e que a felicidade está sobretudo em “pequenos” gestos e momentos, quando as pessoas descobrirem que o que temos de melhor para doar aos outros é o nosso tempo (que este sim não se recupera) todos os desafios materiais serão superáveis e ficarão mínimos diante da grandiosidade das relações!

Angélica Mendes
Gerente Pedagógica